domingo, 8 de julho de 2007

Hey! Don't let it go to waste!



Então, vai ser o que?!

sábado, 7 de julho de 2007

Um conto.

Ela adorava olhar os livros, embora soubesse muito bem que não os leria.
E aqueles em que se desafiaria e tentaria ler, não passaria cem páginas, e mais uma vez se venceria.
Já não vejo tal mania como defeito, talvez sua atenção fosse exigente demais.
Mas mesmo assim, olhar aquelas capas... Como acalma!
Enchem o mundo de possibilidades, de novas perspectivas. Para que ler?! A maioria acabava por desapontá-la.
Ao contrário do que pode se pensar, ela não julgava o livro pela capa, o encanto era exatamente imaginar, o que detrás dela, ele teria a oferecer. E só imaginar.
Assim, seus pensamentos infantis se enchiam de planos, queria ser tanta coisa... Tanta coisa!
Interessava-se por tudo, desde os livros de mecânica de seu pai, com os quais passava horas de suas tardes solitárias.
Até uma pequena passada de olho nos livros pedagógicos, e uns tanto psicólogos, de sua mãe, embora esses... É esses não interessavam muito.
Achava aquilo um absurdo, como se as pessoas pudessem ser desvendadas, como segredos que despertam nossa vã curiosidade. Mas ela sabia, não se pode desvendar, apenas conhecer.
E ela queria conhecer todo mundo, todas as coisas. Imaginava-se como quase tudo. Enquanto a dificuldade do resto do mundo era descobrir o que poderia fazer, a dificuldade dela era escolher entre tantas opções. Que difícil!
De médica a engenheira, tudo a faria feliz. E então ela passou boa parte da sua vida procurando qual de suas muitas opções atrairia a sua tão exigente atenção. Deixando todo o resto, menos atraente, porém não desinteressante, pela metade.
Mas algo no caminho a fez se perder. Perdeu-se como aquela menininha de dez anos que se distrai no shopping com todos os brinquedos e quando olha pro lado, cadê sua mãe?!
De repente tudo que era tão sólido se fez areia e escorregava entre seus dedos incapacitados de impedir. Sentia-se à parte da multidão ao seu lado, enquanto todos gritavam seu ouvido zunia, como quando se mergulha e tenta ouvir o que se fala do lado de fora.
Ela já não olhava mais as capas.
Passava seus dias encarando as paredes ao seu redor esperando a hora em que todas elas desmoronariam em cima de si. É como olhar pro relógio e ver ele girar mais devagar.
Ela pensava se aquilo um dia ia passar.
Forçava-se às vezes a levantar e ir olhar alguns livros, mas ao contrário de antes eles não ofereciam mais nenhum propósito.
O que aconteceu com aquelas capas?!
Um dia a menininha percebeu que teria que deixar quase tudo pra trás, levantar a cabeça e começar a ler os livros, até mesmo aqueles de capas não atraentes.
Mesmo quando sua vontade é de nem levantar. A multidão agora voltava a fazer barulho, nem sempre agradável, mas pelo menos fazia barulho.
E num belo dia, pensando em toda sua vida desde pequena, a menina chegou à resposta das perguntas que nem havia se feito, mas que atormentaram-na durante todo o seu caminho doloroso.
É, disse ela, eu acho que isso é tornar-se adulta.


"But everybody is gone, and I've being here for to long. To face this on my own...
Well I guess this is growing up"